sábado, 15 de setembro de 2018

UMA ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE A MARIOLOGIA DO PAPA JOÃO PAULO II





I. INTRODUÇÃO

 “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Evidenciam uma atitude característica da religiosidade hebraica. Moisés, no início da antiga Aliança, em resposta ao chamamento do Senhor, tinha-se proclamado Seu servo (cf. Ex. 4,10; 14,31). No advento da Nova Aliança, também Maria responde a Deus com um ato de submissão livre e de abandono consciente à Sua vontade, manifestando plena responsabilidade em ser a “escrava do Senhor”. (PAPA JOÃO PAULO II)


O Papa João Paulo II sempre deixou patente, ao longo do seu pontificado, sua irrestrita devoção à Virgem Maria. Ao escapar do atentado sofrido na tarde de 13 de maio de 1981, em plena Praça de São Pedro, no Vaticano, durante uma de suas audiências das quartas-feiras, o Pontífice atribuiu à intercessão miraculosa de Nossa Senhora o fato de ter sobrevivido. A data da malfadada ocorrência, aliás, é especialmente associada às aparições da Virgem em Fátima.
Essa devoção foi particularmente expressa numa série de homilias proferidas por João Paulo II durante os anos de 1995 e 1997, nas audiências públicas das quartas-feiras. As 58 homilias, inicialmente publicadas no L’Osservatore Romano, foram compiladas pelo Prof. Felipe Aquino, do que resultou o livro A Virgem Maria – 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora. De leitura fácil e agradável, a publicação proporciona aos leitores que dela se acercarem uma incursão pelos diversos temas que constituem a mariologia.    
No penúltimo capítulo, Devoção mariana e culto das imagens, afirma João Paulo II: “Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher […]” (Gl 4,4). O culto mariano funda-se sobre a admirável decisão divina de ligar para sempre, como recorda o apóstolo Paulo, a identidade humana do filho de Deus a uma mulher, Maria de Nazaré.  O mistério da maternidade divina e da cooperação de Maria na obra redentora suscita nos crentes de todos os tempos uma atitude de louvor, quer para com o Salvador quer Aquela que O gerou no tempo, cooperando assim na redenção. Um ulterior motivo de reconhecido amor pela Bem-aventurada Virgem é oferecido pela sua maternidade universal. Ao escolhê-la como Mãe da humanidade inteira, o Pai celeste quis revelar a dimensão, por assim dizer materna, da Sua ternura divina e da Sua solicitude pelos homens de todas as épocas” (p. 171).
E no capítulo seguinte, A oração de Maria, conclui: “Tendo recebido de Cristo a salvação e a graça, a Virgem é chamada a desempenhar um papel relevante na redenção da humanidade. Com a devoção mariana os cristãos reconhecem o valor da presença de Maria no caminho rumo à salvação, recorrendo a Ela para obter todo o gênero de graças. Eles sabem sobretudo que podem contar com a sua intercessão materna, para receber do Senhor quanto é necessário ao desenvolvimento da vida divina e à obtenção da salvação eterna. Como atestam os numerosos títulos atribuídos à Virgem e as peregrinações ininterruptas aos santuários marianos, a confiança dos fiéis na Mãe de Jesus impele-os a invocá-la nas necessidades quotidianas. Eles estão certos de que o seu coração materno não pode permanecer insensível às misérias materiais e espirituais de seus filhos” (p. 181).


II. O PAPA JOÃO PAULO II FICOU CONHECIDO PELE SUA TOTAL ENTREGA A VIRGEM MARIA.

João Paulo II e a Virgem MariaComo o Beato João Paulo II, grandes santos e santas da Igreja tiveram em comum a sua consagração a Virgem Maria, segundo o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. São João Maria Vianney (Cura d’ Ars), São João Bosco, São Domingos Sávio, Santa Terezinha, São Pio de Pietrelcina e muitos outros consagraram-se a Nossa Senhora pelo método do Tratado. João Paulo II também faz parte desse grande número de escravos de amor de Maria. O lema do seu pontificado, “Totus Tuus”, que significa todo de Maria, expressa a sua devoção e consagração, a sua entrega total nas mãos da Virgem Maria. A letra “M” e a cor azul no seu brasão simbolizam a sua entrega total nas mãos de Maria.
O Papa João Paulo II, no VIII Colóquio Internacional de Mariologia, de 13 de outubro de 2000, disse: “São Luís Maria Grignion de Montfort constitui para mim uma significativa figura de referência, que me iluminou em momentos importantes da vida.” No seu tempo de seminarista clandestino, por causa da 2ª Guerra Mundial e do comunismo, seu diretor espiritual aconselhou-o a ler e meditar o Tratado. Karol Wojtyla leu e releu o Livro várias vezes, com grande proveito espiritual.

Em sua Carta às Famílias Monfortinas, de 8 de Dezembro de 2003, o Santo Padre refere-se ao Tratado como “um texto clássico da espiritualidade mariana” e diz que o Livro de São Luís Maria é um “obra de eficiência extraordinária para a difusão da ‘verdadeira devoção’ à Virgem Santíssima”. Em sua juventude tirou grandes benefícios da leitura do Tratado, encontrando nele as respostas para as suas dúvidas. Ele tinha receio que a sua devoção a Maria superasse o seu culto a Cristo. Mas, compreendeu que o pensamento de São Luís, a respeito da Mãe de Deus, tem Jesus Cristo como centro.
No seu testamento, João Paulo II demonstra a sua devoção e a sua confiança em Maria e respeito da segunda vinda de Jesus:

“Não sei quando ele virá, mas como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Mestre: Totus Tuus. Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e Todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me pôs em contato. Nestas Mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha Nação e toda a humanidade.”

O Santo Padre entregou verdadeiramente tudo nas mãos maternas da Virgem Maria.
A experiência de fé do Papa João Paulo II está intimamente ligada com a Virgem Maria. Sua confiança, sua consagração, sua entrega total a Nossa Senhora, refletem o grande amor que o Santo Padre nutriu por Nossa Senhora. Esse grande amor por Maria fez com que também o seu amor a Cristo crescesse. Este grande homem de Deus sofreu muito, perdeu muito cedo seus pais, perdeu também muitos de seus melhores amigos nos conflitos entre a Polônia e a Alemanha. Viu seu país oprimido pelos alemães na 2ª Guerra Mundial e pelo comunismo da Rússia no pós guerra. Porém, João Paulo II entregou tudo nas mãos de Maria e, em meio a todo esse sofrimento, aceitou o chamado de Deus para o sacerdócio. Depois, foi dócil e aceitou o bispado e o papado. Teve uma vida fascinante e um pontificado extraordinário. Em seu apostolado, foi um grande propagador da devoção à Virgem Maria, reconduziu muitos fiéis a Cristo e atraiu muitos jovens para a Igreja.


III. UM CARISMA MARIOLÓGICO LATENTE

Deus tem seus caminhos, o Papa João Paulo II faleceu no sábado as vésperas do 2º Domingo de Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia. Unindo-se assim as duas devoções em um dia só, o sábado que é dedicado a Virgem Maria e o domingo da Misericórdia, Festa instituída por ele a pedido de Jesus a santa Faustina.
O Papa João Paulo II reuniu o maior número de pessoas da história da humanidade, 6 milhões de jovens em Manila nas Filipinas. Ele foi um Papa que nadou contra a corrente. Este homem entregue totalmente a Jesus Cristo se configurou a ele.
Como já mencionado, no brasão de João Paulo II estavam representados os dois corações que nos amaram. A cruz dourada de Nosso Senhor, que nos amou divinamente com coração humano, e um M de Maria, a co-redentora que nos ama profundamente.
João Paulo II usou essa expressão “co-redentora” sete vezes. A Igreja viveu um século de ouro da Mariologia. Nunca a Igreja se desenvolveu tanto na Mariologia como neste século. E nesta mesma época aconteceu duas aparições reconhecidas pelo magistério da Igreja, a de Lourdes e a de Fátima.
Existem dois dogmas de Maria nela mesma, de mãe de Deus e da Virgindade perpétua. Porém ainda faltava a parte de Maria para conosco. O que Maria é em relação a nós? Maria é mediadora de todas as graças, todas as graças vem a nós por meio de Maria. Ela participa da redenção, por isso é co-redentora, pois participou da redenção como nenhum outro santo participa.
Maria é membro da Igreja, mas também é mãe da Igreja. Parece contraditório, mas não é. Quando olhamos Maria em relação ao Pai ela é como nós, mas com relação a Jesus ela é mãe, portanto é mais, é nossa mãe.
Durante o Concílio Vaticano II alguns padres queriam essas duas aprovações a respeito da Virgem Maria, como o Concílio era pastoral e ecumênico, não foram aprovados estes dogmas. Depois do Concílio a teologia sobre Nossa Senhora foi diminuindo, até chegarmos a década de 80, em que certo teólogo afirmou que estávamos na “era glacial da Mariologia”. Até vir o Papa João Paulo II, o papa Mariano que quis reacender nossa devoção a Mãe de Deus.
Maria aos pés da cruz, co-redentora. Não há salvação em outro nome a não ser em Jesus Cristo. Quando chamamos Maria de co-redentora não estamos dizendo que ele salvou metade ou 99% da humanidade e Maria salvou a outra parte. Não é isto! Jesus salvou toda a humanidade, 100%.
Deus poderia fazer com que redenção viesse ao mundo por um decreto. Ele poderia nos salvar por um decreto, um estalar de dedos, mas ele não quis fazer isso. Seria humilhante para o homem. O pecado entrou no mundo por um homem e era necessário que o pecado fosse retirado do mundo por um homem.
No início não estava apenas o homem no jardim quando pecaram. Teologicamente, de acordo com os padres da patrística, Jesus é chamado de Novo Adão e Maria Nova Eva, isso é desde o tempo dos Apóstolos. A perdição entrou no mundo por Adão, a salvação entrou no mundo por Jesus. Bem como a perdição entrou no mundo por Eva a salvação entrou no mundo por Maria.
Um anjo visitou uma virgem, prometida em casamento a um homem, quem é esta mulher? Eva. A mulher que foi visitada por um anjo, e este anjo era Satanás e a desobediência entrou no mundo. Anos mais tarde, um anjo visitou uma virgem, prometida em casamento. Quem é esta mulher? Maria que foi visitada pelo anjo Gabriel. E a salvação entrou no mundo.
No céu Deus não poderia padecer, não poderia sofrer uma paixão e morte, porque no céu não se sofre, no céu ninguém morre. Em sua bondade divina, deus quis que Maria colaborasse dando a Cristo o corpo que ele ia sacrificar na cruz.



REFERÊNCIAS


AQUINO, Felipe. A Virgem Maria: 58 Catequeses do Papa João Paulo II sobre Nossa Senhora. 7. ed. São Paulo: Cleófas, 2014. 216 p. ISBN: 978-85-88158-46-7.

AZEVEDO JÚNIOR, Paulo Ricardo de. João Paulo II e Maria co-redentora. 2014. Transcrição e adaptação: Rogéria Nair. Disponível em: <https://eventos.cancaonova.com/pregacoes/joao-paulo-ii-e-maria-co-redentora/>. Acesso em: 30 maio 2018.

UEDA, Natalino. João Paulo II e a Virgem Maria. 2012. Disponível em: <https://blog.cancaonova.com/tododemaria/joao-paulo-ii-e-a-virgem-maria/>. Acesso em: 30 maio 2018.

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