I.
ELEMENTOS OU COMPONENTES ESSENCIAIS NA LITURGIA CRISTÃ
Deus se comunica com a gente através de sinais sensíveis.
Ora, é na celebração da divina Liturgia que temos um dos lugares mais
excelentes em que Deus, no Cristo e pelo Espírito Santo, comunica ao seu povo o
dom de sua presença salvadora. Por isso, a Liturgia é feita de sinais
sensíveis. Toda ela, em todos os seus detalhes, tem (e deve ter!) sua
indispensável dimensão simbólico-sacramental. A começar pelo lugar físico em
que acontece a celebração litúrgica. São quatro são os elementos fundamentais
que não devem faltar na organização do espaço litúrgico, pelos quais nos é dado
perceber a presença amorosa de Deus na celebração da divina Liturgia.
A)
O ALTAR: SÍMBOLO DE CRISTO
O centro de nossa fé cristã
é o sacrifício de Cristo, sua total entrega por nós, confirmada pela
Ressurreição e pelo dom do Espírito. Ora, esta entrega se faz hoje presente
precisamente sobre o altar de nossas igrejas, toda vez que celebramos o
memorial da Páscoa, na santa Missa! E mais, como explicita a Instrução Geral do
Missal Romano – IGMR: Ele “é também a mesa do Senhor na qual o povo de Deus é
convidado a participar por meio da Missa; é ainda o centro da ação de graças
que se realiza pela Eucaristia” (nº 296).
Assim sendo, o ponto de
convergência e atenção, dentro do espaço celebrativo, tem de ser
necessariamente o altar. E nada tem o direito de “roubar-lhe a cena”. Pois ele
re-presenta (traz-nos presente à memória) o que é mais sagrado para nós: Cristo
em sua entrega total por nós, ontem, hoje e sempre.
B)
A MESA DA PALAVRA
Antes de celebrarmos o
memorial do Sacrifício redentor de Cristo, Deus nos fala e nos comunica o seu
amor quando são feitas as leituras, inclusive quando se canta o Salmo
responsorial. Como explicitamente diz a Constituição sobre a Sagrada Liturgia,
do Concílio Vaticano II: Cristo está presente “pela sua palavra, pois é Ele
mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na igreja” (SC 7).
Assim sendo, “a
dignidade da palavra de Deus requer na igreja um lugar condigno de onde possa
ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no
momento da liturgia da Palavra” (IGMR, nº 309). Trata-se da mesa da Palavra, ou
ambão. É espaço litúrgico de fundamental importância simbólico-sacramental,
pois evoca a presença viva do Senhor falando para o seu povo.
C)
O ESPAÇO DA ASSEMBLEIA
Outro elemento
fundamental de um espaço litúrgico: o lugar da assembleia. Por quê? É que a
assembleia litúrgica não é uma simples congregação de pessoas, como qualquer
outra. Uma vez constituída, mais que um mero ajuntamento de pessoas, ela é uma
comunhão de cristãos e cristãs, dispostos a ouvir atentamente a palavra de Deus
e celebrar dignamente a Eucaristia. É o próprio corpo de Cristo, cujos membros
somos cada um de nós. E isto significa que, como tal, deve tratar-se de uma
assembleia altamente participativa (SC 14).
Assim sendo, também o
espaço da assembleia deve aparecer como um espaço do Cristo enquanto corpo
feito de muitos membros. E que todos os fiéis reunidos possam senti-lo como
tal, tanto pela disposição arquitetônica geral do espaço, como pela disposição
dos bancos ou cadeiras, em que todos os membros da assembleia possam sentir-se
realmente como corpo bem unido, na escuta atenta da Palavra e na participação
digna da Liturgia eucarística.
D)
A CADEIRA DA PRESIDÊNCIA
Na verdade, quem
preside a Liturgia é o Cristo, na pessoa do presidente da assembleia litúrgica.
O sacerdote que preside a Eucaristia é o sinal sacramental da presença
invisível deste Cristo. Ao presidir a celebração, ao elevar a oração a Deus em
nome de todos, ao explicar a palavra de Deus à comunidade, o sacerdote atua em
nome deste Cristo. Por isso ele preside, ou seja, ele se senta diante de toda a
assembleia, como representante do verdadeiro Presidente e Mestre, que é o
Senhor Jesus.
Assim sendo, para
visualizar o mistério da presidência de Cristo na pessoa do ministro (cf. SC
14), a Igreja recomenda que se coloque em destaque a cadeira de quem preside.
Como vemos na IGMR: “A cadeira do sacerdote celebrante deve manifestar a sua
função de presidir a assembleia e dirigir a oração” (nº 310). Em outras
palavras, como já dissemos, a cadeira presidencial em destaque evoca a presença
invisível do Cristo que preside a Liturgia na pessoa do ministro.
II.
ESTRUTURA DA LITURGIA JUDAICA: UMA BREVE ANÁLISE DA BERAKHAH
Berakah – Traduzida como benção, louvor, agradecimento,
admiração. É um dos termos que condensa toda riqueza e originalidade do
pensamento hebraico. A Berakah define a tríplice aliança: com Deus, com o mundo
e com os seus semelhantes. Em relação ao homem e ao mundo, Deus é a fonte, é a
norma: cria o homem e o mundo e estabelece sua modalidade de usufruto e de
multiplicação.
Em relação a Deus e ao
mundo o homem é o interprete e beneficiário: é objeto da atuação divina e
destinatário dos bens da terra. Em relação a Deus e ao homem, o mundo é
sacramento e dom: sinal da benevolência divina e dom concreto para o homem.
Com a oração de benção,
o israelita reconhece estes três pólos e a qualidade de suas relações.
Reconhece a Deus como origem e proprietário das coisas, o mundo como dom que
deve ser aceito e partilhado, o homem com os irmãos com as quais participam do
único banquete da vida. Deste modo a Berakah capta a verdadeira finalidade do
mundo e se põe como condição para a realização do reino. Tudo é razão para
bendizer ! Por isso, de acordo com a tradição judaica precisa-se recitar uma benção
diante de qualquer coisa.
Entre todas as bênçãos
que devem ser elevadas a Deus tem uma particular importância as que estão
ligadas aos frutos da terra. Antes de alimentar-se com o pão da terra, o judeu
reza: “Bendito sejas, Senhor nosso Deus Rei do universo, que produzes o pão da
terra.” Não existe algo que não seja ocasião de uma Berakah. Até as realidades
negativas, como a injustiça, a doença, em vez de levar ao desespero são motivos
para benção e louvor. A Berakah é a expressão de uma nova luz. Ela é a maior
das atividades porque tem o poder de fazer novas todas as coisas.
A Berakah e a Torá:
o judeu, além de bendizer o Senhor pelos frutos da terra o faz também pela
Torá. Sede bendito, Senhor nosso, Rei do universo que nos deu a Torá da verdade
e que plantou em nosso meio a vida eterna. Bendize-se a Torá porque ela do
mesmo modo que os frutos da terra, alimenta e alegra o coração do homem. A Torá
revela a finalidade dos bens da terra mediadores e dom da benevolência divina.
O judeu é chamado a bendizer o Senhor diante das situações dolorosas e
trágicas, não porque tem prazer no sofrimento mas porque tem a inabalável
esperança messiânica
A
Berakah e o Milagre: a Berakah é o reflexo desta luz secreta
das coisas. Onde ela está presente cria-se o milagre, onde ela está ausente se
estende a opacidade. Para quem pratica a Berakah tudo é maná, é milagre
A
Berakah e o Temor: o temor é o reconhecimento de que as
coisas não são somente aquilo que são mas implicam também, embora de longe algo
de absoluto. O temor é a percepção da transcendência, do fato de que tudo em
todo lugar faz referência Aquele que está além das coisas. A Berakah nasce do
temor e produz o temor porque une as coisas ao amor de Deus colocando-as sob
seu olhar criador e providente. Graças a Berakah o universo se torna um imenso
santuário em que se deve penetrar e atravessar com veneração e em estado
contemplativo.
A
Berakah e o Dom: a benção restitui a criatura à sua
situação de dom enquanto sua ausência rebaixa as coisas à sombria consistência de
instrumento e de mercadoria. Jesus, dom supremo do amor de Deus ao homem além
de revelar a realidade com o dom resume-a em sua pessoa e no seu mistério.
A
Berakah e a Alegria: a oração de Benção , além de expressar
a percepção real com o dom que deve ser assim participado, traduz também
sentimentos de alegria e bem estar. Ser capaz de bendizer a Deus, antes de ser
um gesto de agradecimento, demonstra um sentido de plenitude. A Berakah é um
sinal de um coração pacífico e cheio de sentido. A alegria que a Berakah traz é
dupla: alegria de saber que é objeto da benevolência de Deus e a percepção do mundo
cheio de unidade e harmonia.
A
Berakah e a Petição: além da Berakah, a liturgia judaica se
estrutura envolta de um segundo pólo, que é a invocação ou petição. O judeu, a
orar, não louva a Deus somente pelas suas maravilhas e por seus dons, mas
também lhe suplica por suas necessidades . Louvar e invocar, admirar e pedir,
agradecer e suplicar são dois pólos da prece hebraica, tanto da individual como
da comunitária.
A prece de petição dá
forças ao “pobre” no calvário. Conserva-lhe a fé em Deus e não os deixa
sucumbir em face as decepções; dá-lhe certeza do triunfo final da bondade
divina e não o deixa desesperar diante das derrotas.
Mas esta força que a
oração de petição dá termina sempre com um louvor. Se um “pobre” invoca a ajuda
de Deus é para poder “louva-lo e agradecer-lhe melhor”. A finalidade profunda
de toda petição (seja cura individual ou a libertação de Jerusalém) é de poder
cumprir a vocação de louvar e agradecer.
III.
A FÓRMULA DA BERAKHAH
A respeito das diversas
formas de benção, tem-se uma classificação de três categorias, cada uma com uma
estrutura própria: bênçãos motivadas por objetos (“bens” concretos), bênçãos
motivadas pela alegria de observar a Torá e bênçãos sem motivações
particulares.
1.
Bênçãos motivadas por bens concretos: São as bênçãos mais
simples que se inicia com a fórmula – “Sê bendito, Senhor nosso Deus, Rei do
universo” e termina com a menção da coisa ou da experiência que a motivou. Ex.:
No caso da benção antes das refeições: que tiras o pão da terra; ou antes de beber
um copo de vinho: que nos dá alegria com o fruto da videira.
2.
Bênçãos motivadas pela alegria da Torá: São as bênçãos que são
citadas antes de cumpri um mandamento e que se iniciam com fórmulas como esta:
“Sê bendito, Senhor nosso Deus, que nos santificaste com os teus mandamentos.”
Ex.: acender as luzes do Sábado.
3.
Bênçãos sem motivações específicas e que exprimem petição ou louvor:
são as bênçãos mais comuns da liturgia pública ou particular e diferem das
precedentes pelo conteúdo e pela forma. Quanto à forma, elas iniciam e terminam
com a mesma expressão: Sê bendito, Senhor. Quanto ao conteúdo, trata-se de
afirmações diversas, que se encontram entre as duas bênçãos de abertura e de
encerramento.
IV.
A ESTRUTURA DA LITURGIA JUDAICA POSSUI TRÊS UNIDADES
1ª) O SHEMÁ ISRAEL
O Shemá contém a
essência da fé judaica. Consiste de três capítulos tirados da Bíblia.
O
primeiro capítulo: “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus,
é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua
alma e de todas as tuas forças. Os mandamentos que hoje te dou serão gravados
no teu coração. Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado
em tua casa, seja andando pelo teu caminho ao te deitares e ao te levantares.
Atá-los-ás à tua mão
como sinal, e os levarás como uma faixa frontal diante dos teus olhos. Tu os
escreverás nos umbrais e nas portas de tua casa.” ( Deut. 6,4-9 ). Nessa parte
falasse do uso da Tefillim e do Mezuzá .
2ª)
TEFILLIM (FILATÉRIOS)
A Torá descreve-o como um sinal, uma afirmação
pública de envolvimento judaico. Ao colocar Tefillim o indivíduo dá expressão
aos seus sentimentos básicos de identificação judaica e a sua importância para
ele. Os Tefillim são colocados no braço, frente ao coração e sobre a cabeça.
Isto significa a união do emocional e do intelectual à serviço de Deus. Homens
( maiores de 13 anos ) devem colocar Tefillim todos os dias da semana, exceto
Shabbat e Festas Judaicas.
3ª)
MEZUZÁ
A santidade do lar
judaico é simbolizada pela Mezuzá, pequeno rolo de pergaminho, que contém os
dois primeiros parágrafos do “Shemá Israel”. Enrolado o pergaminho, é ele
colocado num estojo de madeira, metal ou cristal, que tem uma pequena abertura,
através da qual se distingue a palavra Shaddai ( Todo Poderoso ) escrita nas
costas do rolo. Fixa-se a Mezuzá no lado direito dos portais de todas as
habitações em que vivem judeus, conforme as palavras bíblicas: “E as escreverás
nos portais de tua casa e nos teus portões”. A Mezuzá distingue a casa judaica,
fazendo lembrar aos moradores e visitantes, logo na entrada, quem é o criador
de tudo o que somos e possuímos. Ela recorda o mandamento de se observar a Torá
tanto em casa como fora dela.
O
segundo capítulo: “Se obedecerdes aos mandamentos que
hoje vos prescrevo, se amardes o Senhor, servindo-o de todo o vosso coração e
de toda a vossa alma, derramarei sobre a vossa terra a chuva em seu tempo, a
chuva do outono e da primavera, e recolherás o teu trigo, o teu vinho e o teu
óleo; darei erva aos teus campos para os teus animais, e te alimentarás até
ficares saciado. Tende cuidado para que o vosso coração não seja seduzido e vos
desvieis do Senhor para servir deuses estranhos, rendendo-lhes culto e
prostrando-vos diante deles.
A cólera do Senhor se
inflamaria contra vós e ele fecharia os céus: a chuva cessaria de cair, e não
haveria mais colheita no vosso solo, de modo que não tardaríeis a perecer nesta
boa terra que o Senhor vos dá. Gravai, pois, profundamente em vosso coração e
em vossa alma estas minhas palavras; prendei-as às vossas mãos como um sinal, e
levai-as como uma faixa frontal entre os vossos olhos.
Ensinai-as aos vossos
filhos, falando-lhes delas seja em vossa casa, seja em viagem, quando vos
deitares ou levantardes. Escreve-as nas ombreiras e nas portas de tua casa,
para que se multipliquem os teus dias e os dias de teus filhos na terra que o
Senhor jurou dar a teus pais, e sejam tão numerosos como os dias do céus sobre
a terra.” (Deut. 11,13-21) Nesse trecho os Tefillim e Mezuzá são novamente
mencionados como os símbolos da observância prática dos preceitos divinos.
O
terceiro capítulo: “O Senhor disse a Moisés: ‘Dizei aos
israelitas que façam para eles e seus descendentes borlas nas extremidades de
suas vestes, pondo na borla da cada canto um cordão de púrpura violeta. Fareis
essas borlas para que, vendo-as vos recordeis de todos os mandamentos do
Senhor, e os pratiqueis, e não vos deixeis levar pelos apetites de vosso
coração e de vossos olhos que vos arrastam à infidelidade. Desse modo, vós vos
lembrareis de todos os meus mandamentos, e os praticareis, e sereis consagrados
ao vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei do Egito para ser o
vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus’ ” (Num. 15,37-41 ). Esse trecho faz
referência ao Tallit .
4ª)
TALLIT
É uma peça de
vestimenta em forma de escapulário distintamente judaica que é um constante
lembrete de todas as leis da Torá. É composta de quatro fios duplos de lã,
linho ou seda, as sisit, que pendem dos quatro cantos do manto de preces. Mas,
como as roupas atuais são bem diferentes das de outrora, e como nós não mais
vestimos mantos quadrados, amarramos as sisit ao chale branco que os homens
vestem para as orações e a uma peça menor de fazenda, pequeno Tallit . O Tallit
( como também o tefillim ) obedece a uma lógica teológico-pedagógica: como
sinal e instrumento de santidade; mais do que simplesmente recordar o que o
Senhor quer, faz viver em santidade à qual o Senhor chama.
O judeu religioso deve
proclamar o Shemá duas vezes ao dia: “Quando te deitas e quando te levantas” e
essa proclamação é acompanhada das bênçãos, respectivamente, da manhã (duas
Berakah antes e uma depois ) e da tarde ( uma Berakah antes e duas depois ).
5ª) A TEFILLAH
A tefillah é, depois do
Shemá, o segundo momento central da prece hebraica. Compõe-se de uma série de
bênçãos breves ou orações feitas três vezes ao dia: de manhã, ao meio-dia e à
tarde, e é a “oração por excelência ” da liturgia hebraica. Intimamente ligada
ao Shemá, de acordo com a tradição rabínica, ela é recitada logo depois da
benção final do Shemá.
A tefillah é composta
de 19 bênçãos (antigamente 18) subdividida em três grupos ou seções:
1.
As três primeiras bênçãos
São uma introdução e se
concentram no tema do louvor a Deus, glorificando-o por seus atributos
principais: amor ( hesed ), força ( gevurah ) e santidade ( qedushah ).
2.
As últimas três bênçãos
É definida como benção
de agradecimento, apesar de conter uma súplica de restauração do templo de
Jerusalém e do dom da paz.
3.
As treze bênçãos intermediárias
São o coração da
tefillah e constituem uma série de pedidos a Deus, a fim de que Ele conceda a
seu povo tudo o que é necessário para a vida. São a “Carta Magna” do judaísmo,
através da qual conhecemos o que ele tem como verdadeiramente importante, que
pode-se dividir em : bens espirituais – a inteligência, a penitência e o
perdão; bens materiais – a liberdade pessoal a saúde, o bem-estar, a unificação
dos dispersos; bens sociais – a justiça integral, o castigo dos inimigos, a
recompensa dos justos, a Nova Jerusalém, o Messias e o atendimento das preces.
3ª)
. A QERI’AT TORÁ (A “LEITURA DA TORÁ”)
A Torá (Lei,
ensinamento) é composta do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico e
Deuteronômio.
A Tanah é um livro utilizado
pelos judeus que é composto pela Torá e os livros do Antigo Testamento. Os
judeus não reconhecem os seguintes livros como inspirados: Judite, Tobias,
Macabeus I e II, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc.
Além do Shemá Israel e
da tefillah, outro núcleo da liturgia hebraica é a qeri’at Torá feita na
sinagoga às segundas-feiras, nas terças e aos sábados, nos dias festivos e
semifetivos. Entre os vários imperativos do Shemá há um particularmente
importante: “Tu os inculcarás a teus filhos, e deles falarás, seja sentado em
tua casa, seja andando pelo teu caminho ao te deitares e ao te levantares”. Se
o mandamento bíblico quer inculcar o amor à Palavra de Deus em todas as
gerações, a qeri’at Torá, feita na sinagoga em determinados dias e de acordo
com modalidades particulares, responde a este mandamento: com ela, o povo de
Israel nutre-se da Palavra de Deus, lendo-a e comentando-a.
Não se pode compreender
o judaísmo sem a Torá, que é sua alma e substância, seu segredo e seu fascínio.
A sua importância central na tradição hebraica é expressa mais pela linguagem
figurada do que pela argumentação racional. Devido a sua importância, a Torá é
lida e comentada na sinagoga três vezes por semana.
V.
COMENTÁRIO SOBRE UMA ÉPOCA LITÚRGICA: O
MISTÉRIO CELEBRADO NOS PRIMEIROS SÉCULOS DA NOSSA ERA.
É importante termos
presente que para compreendermos LITURGIA devemos, antes de tudo, fazer uma
análise do que aconteceu nos primeiros séculos da Igreja, isto é, como a
LITURGIA era celebrada pelos primeiros cristãos, para que ao chegarmos na nossa
era, compreendamos, à luz do Vaticano II, o significado deste mistério celebrado,
que por sua vez significa experimentar a presença de Deus na nossa vida.
É a ação de Deus na
qual Ele entra em comunhão com o mundo e com os homens. De um lado Deus se
revela e se comunica ao homem, e de outro, o homem entra em comunhão com Deus.
Deus é mistério em si mesmo porque é comunhão de vida, de amor e felicidade em
si mesmo. Para a Sagrada Escritura, os Padres da Igreja e a Liturgia, mistério
é o plano de Deus de fazer o ser humano participante de sua vida, de salvar a
humanidade. Além disso, é visto sob o aspecto divino da salvação. Neste caso, o
mistério de Deus é revelado em seu Filho Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, isto
é, que se fez humano para a nossa salvação. Ao se revelar em Jesus Cristo, Ele
comunicou a sua vida eterna mais íntima ao ser humano. Para compreendermos o
mistério é necessário termos fé, pois este brota da nossa espiritualidade.
Depois deste ensaio, vamos estudar a liturgia nas suas origens.
V.I.
A LITURGIA NOS PRIMÓRDIOS DO CRISTIANISMO
Na era apostólica, mais conhecida
como tempo dos apóstolos, Jesus e seus seguidores praticavam a religião
judaica. Participavam das celebrações litúrgicas (templo, sinagoga, oração e
festas). Jesus era um homem muito piedoso, assim como seus seguidores
(apóstolos) e participavam assiduamente da religião de seu povo.
Jesus e os apóstolos não vieram
romper com a liturgia antiga, pelo contrário, vieram dar pleno cumprimento (Mt
5,17), aperfeiçoá-la. Assim sendo, deu uma nova orientação aos ritos judaicos
já existentes. Portanto, a nossa liturgia cristã é uma continuidade da liturgia
hebraica. O nosso referencial é Jesus de Nazaré. A partir do mistério de
Cristo, aconteceu uma cristianização dos elementos ritualizados herdados,
surgindo daí a liturgia cristã. Os elementos rituais são:
São elementos rituais
riquíssimos que demonstram como a nossa liturgia está enraizada na cultura do
Antigo Testamento. Em contrapartida, há aspectos de rupturas entre a liturgia
cristã e a liturgia judaica. Em alguns aspectos, Jesus mantém uma crítica em
relação à ordem cultual da religião judaica. Jesus quer resgatar o fundamento
do culto, a saber, o amor que se desdobra na prática da justiça, da
misericórdia, do perdão (cf. Mt 9,13). Também os discípulos de Jesus, após a
ascensão, continuavam participando do templo, porém, não participavam dos
sacrifícios rituais. Como judeus cristianizados, eram convictos de que a
morte-ressurreição de Jesus havia superado o sacrifício da lei antiga. O templo
passou a ser o verdadeiro Templo que agora é Cristo. A partir de então, a
Igreja apostólica começou a organizar-se criando formas próprias de culto. Uma
das características desse novo grupo era a reunião (aspecto comunitário): É a
liturgia dos primeiros cristãos (cf. Mt 18,20, At 4,31; 20,7-8).
Em At 2, 46 narra-se o momento da
refeição, onde partiam o pão e comiam com simplicidade e alegria. Junto da
reunião tinha o momento da oração da benção (oração eucarística: ação de
graças) e o ensinamento dos apóstolos.
Outro aspecto interessante é que
costumavam realizar as reuniões no primeiro dia da semana. A este dia, deram o
nome de “dia do Senhor” (domingo), por ser o dia em que se recorda a
ressurreição do Senhor. Mais tarde surgiu a festa anual da Páscoa, quando Paulo
dizia: “Cristo nossa Páscoa foi imolado” (1 Cor 5,7). A imolação do Cristo
substituiu a do cordeiro da Páscoa anual hebraico. Mais tarde surge também o batismo que já
havia sido prefigurado por João Batista (batismo no Espírito no nome de Jesus).
Embora não tendo uma regulamentação
estável da liturgia, a comunidade apostólica já dispunha de algumas formas
litúrgicas próprias: oração, batismo e eucaristia.
REFERÊNCIAS
– Israel em Oração – Carmine Di Sante, Edições Paulinas, 1989.
– Apostila “Introdução à Língua Hebraica e à Cultura Judaica” – Jane Bichmacher de Glasman, 1987.
– Apostila “Introdução à Língua Hebraica e à Cultura Judaica” – Jane Bichmacher de Glasman, 1987.


Nenhum comentário:
Postar um comentário